O Salmo 51 diz que em iniquidade fomos formados e que em pecado fomos concebidos. Não há como escapar desta sentença; basta vir ao mundo para ser mais um a integrar as fileiras do pecado. Não se trata aqui de desvios de moralidade, muito menos de erros de conduta. O assunto aqui é a natureza.
Não é tudo. Visto que o cordeiro de Deus foi imolado desde a fundação do mundo, sabemos que a criação teve como base a graça divina. Sim, a redenção veio antes de Eva tocar e comer o fruto proibido. Deus já havia nos perdoado antes mesmo de qualquer um de nós ter sido criado.
Portanto, antes de sermos concebidos em pecado, fomos concebidos em perdão!
Antes de sermos formados em iniquidade, fomos formados em graça!
O Salmo 51 poderia tranquilamente dizer que em graça fomos formados e em perdão fomos concebidos.
Infelizmente não é desta forma que a religião cristã desenvolveu sua teologia ao longo dos anos. Até hoje a grande maioria das igrejas prega que Deus fez um mundo perfeito mas corrompido em seguida pelo pecado. Ao ver a corrupção, tratou de consertar o mundo mandando seu filho como salvador em meio ao caos.
O estranho desta teologia é que não há uma alma sequer que esteja livre do pecado, visto que ele vem com o nascimento. Porém, incrivelmente, nem todos são beneficiários da salvação, já que é necessário que o vivente a aceite para que a possa desfrutar.
Desta maneira conclui-se que o pecado é mais abrangente que a graça.
Em outras palavras seria dizer que o Diabo é mais poderoso do que Deus.
Não é chocante?
E não é isso que as igrejas tem pregado nos últimos dois mil anos, num misto de ignorância e oportunismo?
Quanto mais exclusivista for a igreja, mais difícil é a salvação.
Quanto mais severa é a seita, menos homens são os beneficiados de Deus.
Abre-se um mundo de possibilidades. Não é a toa que este assunto gera tanta confusão no meio dos crentes, geralmente cheios de dúvidas sobre a sua situação perante Deus. Há lideres que se aproveitam de tal brecha emocional para aprisionar ainda mais as pessoas debaixo da culpa.
Certa vez um pastor me disse que na sua cidade, Cachoeira do Sul, Deus lhe havia revelado que somente trezentas pessoas seriam salvas. Todas as outras tiveram a oportunidade mas perderam-na, pois desprezaram o que ele pregava na igreja.
Haja coragem para dizer uma coisa dessas!
E assim, com total falta de conhecimento a respeito de Deus, a vida das pessoas vai sendo destruída.
O incrível é que muitos gostam de viver assim, sempre com a culpa a níveis exorbitantes. Desta forma podem exercer seu esporte predileto: a auto-punição que os faz experimentar uma falsa redenção.
Tal violência contra si mesmo não pode terminar em coisa boa. Sem atingir os objetivos de santificação necessários para satisfazer as exigências da pregação, entra-se num jogo de simulação e hipocrisia, fazendo uma vida dupla: na igreja com os irmãos torna-se um santo, mas em casa é o verdadeiro Diabo.
Tem quem passe a vida toda assim.
Tem também quem pule fora da igreja e cheio de traumas, não quer nem mais ouvir falar em Jesus. Morre ali a sua pouca fé.
Estes ainda serão chamados de apóstatas pelos “amados” irmãos que não saíram de lá.
Tudo isso porque não tiveram a oportunidade de crer que já temos paz com Deus e que nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus.
O cristianismo abafa completamente a boa nova.
A igreja, que deveria ser “os que foram tirados para fora”, representa hoje exatamente o seu oposto, isto é: os que foram botados de volta para dentro.
Sair é uma questão de graça e fé.
Permanecer fora é escolha pessoal.
gosto de ficar lendo as opiniões por que vamos abrindo mais nosso conhecimento e nos aproximamos mais de Deus pelo ler que entra em nosso coração verdadeiramente como uma espada de dois gumes.
Gostei muito desse artigo, nunca tinha pensado por esse angulo. Certamente que o irmão foi inspirado pelo Espirito Santo!
Carlos, a tua frase “nunca tinha pensado sobre este angulo” é uma das minhas favoritas.
O objetivo dos textos é nos levar a refletir e nos fazer enxergar as coisas sob outros angulos.
um abraço
Daniel
Devemos sempre meditar na palavra e ver se realmente a reveleção que temos vem de DEUS.