A carta aos gálatas é uma ode à liberdade. Cada palavra escrita por Paulo serve como uma imensa bola de ferro que golpeia os templos da religião que querem se formar em nós. Cada pancada desferida faz com que os tijolinhos frágeis da lei caiam e virem pó. Como eu gosto desta carta!
Lá pelas tantas ele começa a fazer uma comparação entre aqueles que vivem pela lei e os que vivem pela graça. Paulo diz que Abraão teve dois filhos: um da livre e outro da escrava. O filho da livre era o herdeiro que permaneceria para sempre na casa. Já o filho da escrava não herdaria nada, e pior, foi mandado embora.
É uma ótima alegoria.
O único mérito, se é que pode se chamar assim, do filho da livre para receber a herança e permanecer para sempre na casa é justamente ser… filho da livre!!
Igualmente, qual foi o pecado do filho da escrava para não herdar nada e ainda ser mandado embora? Ora, foi ter nascido da barriga errada.
Dizei-me, os que quereis estar debaixo da lei, não ouvis vós a lei?
Dito isto, Paulo então faz a observação que para mim é chave nesta história e lhe dá o teor pratico disto tudo: Mas, como então aquele que era gerado segundo a carne perseguia o que o era segundo o Espírito, assim é também agora.
Aí é que o bicho pega.
Porque Ismael perseguia Isaque? Ora, porque ele era escravo e Isaque era livre!
E ainda complementa: assim é também agora!
Quais são mesmos as obras da carne?
Divisão, contendas, iras, invejas…
Não é um retrato do cristianismo? Eu nunca vi um lugar que representasse mais as obras da carne do que a igreja.
Qualquer semelhança não é mera coincidência. Viver pela lei tem o seu preço: escravidão. E escravidão produz as suas consequências: obras da carne.
E quanto ao filho da livre? Será que ele andava preocupado como o filho da escrava? E porque motivo estaria? Ele sabia que enquanto fosse criança, não poderia fazer nada, mas logo ali na frente seria dono de tudo, e se quisesse, poderia mandar embora o que lhe perturbava.
Ele tinha a paz dos que tem a herança.
Ele tinha a paz dos que são livres.
Ele tinha a paz dos que tem a segurança das certezas.
E o escravo? Qual certeza tem? Apenas inseguranças.
É assim a lei. Ela é cheia de inseguranças, pois ela diz que dependendo do que você fizer, será recompensado ou punido. E pior, se falhar em apenas um dos tantos mandamentos, será considerado culpado de todos.
Se você ler Deuteronômio, capitulo vinte oito, verá um belo exemplo disso.
Já a graça nos dá a boa-nova, isto é, que em Jesus tudo já foi feito e que não há nada que eu possa fazer que mude esta condição.
É assim com os filhos. Não há nada que eles façam que o façam deixar de ser filhos. Não foi assim com o filho pródigo?
O convite do evangelho é este: nos fazer crer nisso para viver emocionalmente em ordem com a verdade da boa-nova.