Muitos são os cristãos angustiados por não conseguirem atingir o grau de santificação desejado. Tal frustração nem é nem por se amar e almejar o que é santo, mas sim por medo do inferno, das trevas exteriores ou de algum outro lugar terrível que temem serem enviados por Deus.
Para estes, a vida é uma corrida contra o tempo para atingir um certo grau de “maturidade espiritual”. A santificação é uma obsessão. Existem até planos e métodos que ensinam como crescer espiritualmente. Relax é palavra difícil neste ambiente. Qualquer atividade que não seja para “crescimento espiritual” é vista como perda de tempo.
O que acaba acontecendo é que a motivação para a vida acaba não sendo o amor pelo significado do amor. A neurose pela santificação faz com que amar o próximo se transforme apenas numa maneira de serem aprovados futuramente num tribunal ou então atingirem um determinado patamar de espiritualidade. O bom entendedor já percebeu que se trata do velho egoísmo religioso disfarçado.
Agora façamos uma pausa e pensemos cá conosco: quem em sã consciência vai ter paz na vida assim?
Não esqueçamos de somar a isso as reuniões da igreja, sempre cobrando obediência através de ameaças. Óbvio que eles não sabem o que é obediência.
E o que dizer das profecias em nome de Deus? Sempre na primeira pessoa do singular, dizendo que o tempo está acabando e que somos ingratos e rebeldes, que fazemos tudo errado, que Deus está furioso e que se não nos convertermos depressa seremos substituídos. Tudo isto repetido constantemente como um disco que não termina.
Repito a pergunta: quem consegue viver em paz assim? Além disso: será possível santificar-se em meio a tantas ameaças, temores e angústias?
Dificilmente.
O evangelho visto assim mais adoece do que cura. E nem é possível chamar isto de evangelho. O que as igrejas fazem é usar a lógica da lei, mas com o texto do novo testamento nas mãos.
Faço um aparte aqui para destacar duas frases do irmao Carlos Bregantim que encaixam como uma luva:
Os deuses das religiões são e estão sempre irados e requerendo alguma oferenda pra aplacar a ira, mas, o Eterno, sua ira ja se aplacou. Que mania que os religiosos tem de apresentar um Deus sempre de mal humor e irado. O Eterno é feliz e é bem humorado é só observar a criação.
Se eu pudesse definir o Evangelho em poucas palavras, uma delas seria Certeza. Certeza de que tudo está consumado e não somente uma parte, como querem os religiosos e suas doutrinas judaizantes.
Sim, é extremamente difícil e desagradável lidar com nosso egoísmo pulsando diariamente. Eu também não gosto de egoísmo. Quero ser menos egoísta e mais solidário. Pois é aí que entra o poder do evangelho e a paz produzida pela certeza da obra consumada na cruz.
Sob a paz produzida pela certeza da salvação, a santificação é consequência da caminhada diária na fé em Jesus.
A doutrina judaizante faz o contrário, isto é, te dá a incerteza do que virá no futuro para te exigir santificação.
Mais uma vez repito: isto não é boa-nova. Isto não é evangelho!
Isto se chama lei! E pela lei nenhuma carne é justificada.
Nós, os que fomos salvos pela fé, MORREMOS para a lei.
Nós, os que fomos salvos pela fé, MORREMOS para TODA incerteza!
Veja a diferença.
Sem incertezas, não há mais medos nem angustias, mas somente a paz que excede todo entendimento. Ou você consegue entender esta fé?
Ora, o fato é que quanto mais preocupada uma pessoa está com a santificação, menos santo é.
Vocês devem se lembrar daqueles a qual Jesus disse: entrem no reino, pequeninos de meu pai, porque tive fome e me destes de comer, tive sede e me destes de beber, etc.
Para nosso espanto, a resposta deles foi uma indagação: quando Senhor? Quando tivestes fome e te demos de comer? Quando tiveste sede e te demos de beber?
Simplesmente eles não sabiam.
Não é uma grande surpresa? Eles não sabiam da própria condição. Se tivessem a pretensão da santidade talvez o soubessem, mas como já tinham a certeza da santidade herdada em Cristo, o qual se fez santificação por nós, isto não era um dilema para eles.
É assim que eu procuro viver: nas certezas que o evangelho anuncia. Não há nenhuma segunda salvação para nôs. Ela é única e suficiente! Tomamos posse dela unicamente pela fé.
Desde ontem tem me chamado a atenção uma palavra, que agora, me parece, vem ao encontro do texto acima, em Rm 2;25 a 29,
“Porém judeu é aquele que o é interiormente, e circuncisão, a que é do coração, no espírito, não segundo a letra, e cujo louvor não procede dos homens, mas de Deus”