Foi apresentado à imprensa na terça-feira, 27 de Janeiro, o livro do escritor Slawomir Oder a respeito do falecido líder da igreja católica romana, João Paulo II. Neste trabalho, Oder apresenta cartas inéditas e algumas revelações interessantes. A que mais me chamou a atenção é de que o religioso se autoflagelava.
Li esta informação no portal Yahoo. Transcrevo um breve trecho da reportagem:
Sempre vi como uma grande bizarrice este negócio de se autoflagelar. Mas bizarrice a parte, o que salta aos olhos é perceber que os praticantes da tal auto-tortura não compreenderam muito menos assimilaram o significado da cruz de Cristo.
Aquele que se autoflagela está impondo a si uma punição através da dor. Diz o texto que João Paulo II também dormia no chão como forma de penitencia. Tradicionalmente a autopunição acontece privando-se de prazeres carnais, como comida e bebida. Esta é a mais praticada no meio religioso. Jà açoitar a si mesmo é daquelas atitudes mais extremas, porém segue a mesma linha psicológica, isto é, a dor como alivio para a culpa.
Este é um dos assuntos que os cristãos tem mais dificuldades para assimilar. Ele está na raiz da doutrina cristã. É importante ressaltar: se não entendermos o significado da cruz de maneira clara, as chances de se partir para um caminho torto e enganoso são enormes.
Para ir direto ao assunto: a cruz é o lugar onde deveríamos depositar toda a sede de punição contra nós mesmos. O gólgota deveria servir como fonte de perdão genuíno para formar a nossa consciência. A vara de Deus é esta. Uma vara amorosa que perdoa todo e qualquer pecado. Sei, muitos são os desiludidos com Deus a respeito deste assunto e acabam pregando outro evangelho. Não sabem de que espirito são. Que esteja bem claro, a cruz que devemos carregar não é composta de sacrifícios humanos; a nossa cruz é aceitar a cruz de Cristo como redenção única e suficiente.
Por que aceitar a cruz de Cristo é a nossa cruz? Porque aceitá-la é assumir nossa fraqueza e incapacidade para justificar a nós mesmos.
Do alto da sua jactância, o homem prefere pagar a sua própria divida do que aceitar a graça de Deus. E as denominações cristas estão aí para oferecer todo o tipo de modelo de pagamento; aceita-se cartão de crédito, cheque pré-datado, etc.
Mal sabem que agindo assim invertem o poder da cruz, pois ao invés dela trazer alívio para a alma, acaba se tornando pesada, como se cobrasse de nós um comportamento compatível com a dor que Jesus sofreu na sua morte.
Como disse anteriormente, é um problema que está na raiz do entendimento da mensagem do evangelho. O rebanho, não é a toa, é pequeno. Curiosamente pequeno, pois para fazer parte dele somente devemos abraçar a graça de Deus; olhe bem, a exigência para participar dele é crer que Deus não exige nem cobra nada para que sejamos parte dele. Veja que paradoxo.
1 Corintios 1:18 Certamente, a palavra da cruz é loucura para os que se perdem, mas para nós, que somos salvos, poder de Deus.
A isto Paulo chamou de loucura da cruz. E é loucura mesmo, pois parece uma contradição aos nossos olhos. Estamos tão acostumados a pagar por tudo o que recebemos que ao receber algo de graça, não acreditamos que seja verdade. Tem quem sinta até vergonha. E tem quem não aceite de jeito nenhum um favor sem pagá-lo num breve espaço de tempo. É aquele sentimento de sempre querer estar “quites”, sem dever nada a ninguém.
Com Deus não funciona pois “as dívidas” serão sempre impagáveis, por maior que seja o esforço. Podemos nos autoflagelar, bater com cinto, se esvair em sangue. Podemos até dormir no chão. De nada aproveita. Não existe penitência humana que pague coisa alguma para Deus. Eu arriscaria até dizer que por trás da auto-penitencia está uma grande vontade de não se arrepender.
Por isso digo: A dívida já foi paga. A vista disso só nos resta descansar N’Ele.
“Eu arriscaria até dizer que por trás da auto-penitencia está uma grande vontade de não se arrepender”.
Concordo com essa sua última frase, e admiro sua coragem em dize-la.
irmão, irmão….
Aquele que não come, não julgue o que come…circunciso ou incircuciso, não faz diferença.
É evidente que “já está pago”, mas não é adequado, sob a luz do Evangelho, eu julgar alguém por acreditar que algo que ele faça e diga respeito apenas a ele prróprio (e só revelado em livro após s sua morte, ou seja, ele não se vangloriava disto), seja visto como “bobagem”. O que ele sentia no coração de Deus só ele sabia… portanto, essa encrenca com os católicos é mais rançosa do que dos crentes de uma denominação com os crentes de outra denominação.
com amor em Jesus
Amigo, pena que você não pode se identificar. Eu te conheço? Se quiser, pode escrever para o e-mail contato@meditardiaenoite.com.br
Se você reparar no texto verá que peguei o exemplo da auto-flagelação para explicar o sentido da cruz de Cristo. E isto tem a ver comigo e não com o ex-papa.
O que falo não tem como objetivo condenar ninguém pelos seus atos, mas mostrar à luz da palavra o que considero importante.
Minha preocupação com o ex-pope é zero, mas minha preocupação com o meu próprio entendimento do evangelho é grande.
abraço