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Missionário não é empregado

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Teve um tempo em que eu queria ser missionário. Meu desejo era dedicar todo o meu tempo à causa divina. Achava eu que gastando oito horas por dia trabalhando como programador estava desperdiçando meu tempo com coisas inúteis.

Sei que muitos irmãos pensam como eu pensava. Digo pensava porque hoje vejo o grande erro que estaria cometendo caso minha vontade se cumprisse. Por mais que bons pensamentos estejam por trás desta idéia, o risco dela se tornar nociva e decepcionante é enorme. Falo isto depois de ver inúmeros casos de pessoas que decidiram largar seus empregos pensando em mudar de vida mas na verdade embarcaram numa tremenda canoa furada.

É preciso um pouco de pé no chão antes fazer tal decisão. Lembre-se que a partir do momento em que você decide abandonar um emprego formal para dedicar a totalidade do seu tempo à uma missão, colocará você e sua família na dependência de doações e ofertas de terceiros.

Grande parte das pessoas que assim fazem, são sustentadas pelas denominações. E o que querem as denominações senão expandir seus braços ao maior numero de lugares possíveis neste mundo? Eu não me iludo achando que a igreja evangélica quer o bem da humanidade. O que os evangélicos querem é o maior numero possível de pessoas do seu lado, defendendo suas idéias. Os motivos são vários, entre eles poder e dinheiro; para os mais ingênuos, a confirmação psicológica de que estão trilhando o caminho correto.

O que invariavelmente acontece é que a denominação que envia o irmão se coloca no direito de dar as regras na forma como o trabalho missionário deve acontecer. Além disso, a igreja passa a controlar, direta ou indiretamente, a vida do missionário e da sua família. Já que ela paga as despesas, ela quer resultados, isto é, crescimento. Sobra pouco espaço para uma espiritualidade sadia. A dependência econômico-financeira leva famílias a sujeitarem-se às imposições superiores e fazer o que é mandado, mesmo que isso vá contra a própria consciência.

Em países pobres como o Brasil onde é difícil conseguir um emprego, mas é fácil abrir uma igreja, muitos irmãos veem numa missão a oportunidade da própria sobrevivência. É como um emprego sem carteira assinada nem direitos. O tempo vai passando e a dependência da instituição religiosa aumenta. Cada sapo engolido é uma parcela da consciência que se perde.

As vezes já se passaram anos, décadas, e o medo de ter que enfrentar o mundo lá fora da igreja é enorme. Que tipo de emprego se dará a quem sabe fazer trabalho “eclesiástico”?

A verdade é que missionário não é nada disso que estou falando. Quem tem o espirito missionário não precisa ir longe e nem arrumar emprego de diácono ou “obreiro” numa denominação. Ama a teu próximo como a ti mesmo. O próximo, desculpem a redundância, pode estar de fato, muito próximo, é só olhar para o lado. E a missão não é mais nada do que isso, seja perto ou seja longe.

Admiro aqueles que abrem mão do conforto do seu lar, da sua cidade natal e do aconchego da sua família para levarem a palavra de Deus aos recantos deste mundo. Mas os admirarei continuamente se não deixarem escravizarem-se pelas tentações e armadilhas do trabalho eclesiástico e permanecerem na pura e simples, com suas consciências limpas.



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6 comentários to “Missionário não é empregado”

  1. JussaraNo Gravatar says:

    Segundo minha experiência hoje, como aposentada, penso que uma pessoa que trabalha ou estuda, sabe administrar, ou remir, muito melhor, seu tempo. E tem muito mais oportunidades de amar o próximo,

    • Daniel P CorreaNo Gravatar says:

      Oi Jussara, trabalhar e estudar nos colocam em contato com muitas pessoas que nao estao dentro das igrejas.

      Gente normal, digamos assim. Faz a vida ser mais saudavel e com menos paranoisas :) hehe

  2. AndreaNo Gravatar says:

    Concordo com vc, Daniel.Sempre testemunhei da minha fé em Cristo nas escolas onde trabalhei para meus alunos e colegas e, sinceramente, acredito que fui mais útil para o Reino nesses lugares do que se tivesse largado tudo pra ir “ao campo missionário”.O campo é onde estamos:casa, vizinhança, trabalho.

    • Daniel P CorreaNo Gravatar says:

      Oi Andrea,
      a expressao “campo missionario” é tao pomposa que parece que se nao for bem longe, nao vale hehehe

      Mas é como voce disse, o campo é a casa, vizinhança, trabalho.

      um abraço

      Daniel

  3. Inamara LopesNo Gravatar says:

    Olá Daniel, concordo com voce pois para fazer o trabalho missionário muitas vezes é muito mais fácil estando trabalhando como funcionário numa firma do que sair do emprego e ir a luta num lugar muitas vezes desconhecido. Um abraço.
    Inamara Lopes

    • Daniel P CorreaNo Gravatar says:

      Oi Inamara,

      è verdade. Hoje as vezes passamos mais tempo em contato com os colegas de trabalho do que em casa. Eh inevitavel que eles vejam quem nòs somos.

      um abraço

      Daniel

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