Como todos sabem, recentemente o Haiti foi alvo de um gigantesco terremoto que devastou a sua capital, Porto Príncipe. Não obstante ser um dos países mais pobres do mundo, dono de imensas dificuldades econômicas, ainda acontece um terremoto de tamanho poder destruidor.
Fazer análise social de um terremoto é meu ultimo desejo. Eu nem saberia fazê-la. Fiquei pasmo quando li cristãos explicando o terremoto como sendo culpa das religiões africanas presentes no Haiti. Pasmo mas não surpreso.
O pouco tempo que passei dentro de uma igreja evangélica me deu bagagem suficiente para saber que de mentes adoecidas pela religião pode sair de tudo, até mesmo explicar porque uma nação composta de 95% de afro-descendentes carregaria em si uma maldição divina.
Varias correntes do cristianismo ensinam que os negros seriam descendentes de Cão, filho de Noé, aquele que foi amaldiçoado por ter exposto a nudez do pai. Carregariam portanto tal maldição nos “genes”. Depois do terremoto no Haiti, esta tese racista veio a tona. Até mesmo o cônsul do Haiti em São Paulo, George Antoine, declarou a seguinte frase:
“A desgraça de lá (Haiti) está sendo uma boa para a gente aqui ficar conhecido (…) Aquele povo africano acho que de tanto mexer com macumba, não sei o que é aquilo (…) O africano em si tem maldição. Todo lugar em que tem africano tá f…”
Apesar do conjunto da obra ser horrendo, ressaltei a parte que considero mais grave: “O africano em si tem maldição”. E não pense que o cônsul haitiano está sozinho nessa. Infelizmente, muitos cristãos compartilham do mesmo pensamento. Preconceito, ignorância e soberba, para dizer o minimo.
E também oportunismo. Ano passado, quando um terremoto atingiu o centro da Itália, ninguém veio a público pronunciar maldição hereditária sobre os europeus. São as tais teses tortas, isto é, só valem para os outros. Quando sucedem contra os que odiamos, vale como confirmação. Mas quando acontecem do nosso lado, silêncio.
Lucas 13:4-5 Ou pensais que aqueles dezoito, sobre os quais caiu a torre de Siloé e os matou, foram mais culpados do que todos os outros habitantes de Jerusalém? Não, eu vos digo; antes, se não vos arrependerdes, todos de igual modo perecereis.
No evangelho de Lucas vemos Jesus falando da queda de uma torre sobre dezoito pessoas. O pensamento geral em Israel era de que aqueles dezoito eram mais pecadores do que os outros para sofrerem tal punição. Jesus simplesmente disse que não. A tragédia não faz ninguém mais ou menos pecador.
A tragédia não explica maldição alguma.
A tragédia não explica pecado algum.
Em outra oportunidade, quando questionado a respeito da cegueira de um homem, os discípulos queriam saber quem havia pecado para que ele tivesse nascido assim: ele ou seus pais?
Mais uma vez vê-se a ideia de que os males do homem são gerados por alguma maldição hereditária congênita, se é que pode-se dizer assim.
João 9:2-3 Perguntaram-lhe os seus discípulos: Rabi, quem pecou, este ou seus pais, para que nascesse cego? Respondeu Jesus: Nem ele pecou nem seus pais; mas foi para que nele se manifestem as obras de Deus.
Nem ele nem seus pais, respondeu Jesus, mas foi para que nele se manifestem as obras de Deus.
Ora, a mesma lição eu tiro para todas as mazelas da vida humana: a única coisa a fazer é manifestar as obras de Deus. Perguntar quem pecou, quando pecou e porque pecou é inútil e completamente torto em relação ao que Jesus ensinou.
Perguntem aos haitianos se eles estão interessados em fazer a teologia do terremoto. Não estão! O que eles querem é água, comida, remédios, ajuda. E quem tem recursos deste mundo e vê o seu irmão passando necessidade e lhe fechar o coração, como pode estar nele o amor de Deus?
O evangelho é simples e sempre está de acordo com a realidade humana.
Definitivamente, ao escrever esta reflexão o Irmão estava iluminado por Deus, “pois não há distinção entre judeu e grego, uma vez que o mesmo é o Senhor de todos…”(romanos 10:12 - primeira parte).
Em todos os povos, raças, culturas, nações há pessoas sinceras que adoram o Deus Eterno de acordo com a luz que receberam.
Tragédias são oportunidades dadas “…aos homens de boa vontade” para propagar a paz e tornar visível a misericórdia de Deus!
Muito bom Artigo!
Obrigado Leonor. Lembraste muito bem das palavras de Paulo. “Nao há distinção”.
abraço
Daniel
Fico mt triste por ver q mtos de nós ainda pensa q quem nasce cego é pq pecou. Não há um justo sequer, por isso Jesus veio. Lembro uma música antiga do Fagner, cuja letra dizia mais ou menos assim…-” Se o vento não te procurar, é pq multidões ele foi arrastar”… Não sei se me farei entender, mas sei q é mt verdade, estender a mão para o próximo, é subir um degrau para um lugar seguro. Claro q a motivação correta é o amor. Mas essa realidade escrita no evangelho, um dia nos olha nos olhos. Escrevi em outro comentário e vou repetir; Quando, de algum modo, vestimos a pele do outro, estamos salvando a nossa,